No livro Rascunho, Diulinda Garcia surpreende o leitor percorrendo os caminhos da prosa e o faz usando a palavra de uma forma consciente dotada das melhores ferramentas para a construção de uma prosa sem costuras inconsequentes avançando rumo à poesia. Nessa viagem entre a prosa e o verso, a autora passeia com o olhar atento ao cotidiano, mas sem se afastar de seu universo existencial, nos conduzindo a lugares inesquecíveis, ora questionadora, ora contemplativa e reverente frente "à Catedral de Notre-Dame", "artisticamente motivada pelas ladeiras de Montmartre" ou frente a frente com o seu profundo rio em uma viagem imaginária, onde o poema se constrói em parceria com a palavra, a emoção e o sentir expressos com fluência e autêntica delicadeza. Percebe-se neste livro, as inquietações de quem procura no solo fértil da vida,entre verões e ventanias, a matéria prima necessária à feitura de sua trama poética, se evidenciando a busca permanente pela palavra exata, verdadeiro artesanato, onde o verso livre, espontâneo e visceral, volta e meia pede espaço para imprimir uma mensagem, expor, denunciar e chamar a atenção para determinadas situações sociais. Como diz o poema "Exclusos": Se incluem numa vida sem bússola / nos guetos sem portas / que indiquem a saída / entre o lixo e o luxo / comem o pão amassado / pelo tal mundo cão / que deserda e exclui. Em RASCUNHO, a autora às vezes escapa à razão viajando na multiplicidade de seu universo, adentrando nos seus mistérios sem submeter-se à regras e formas, compondo versos livres, de efetiva proficiência poética, sublinhados pelo lirismo e pela concisão sem esquecer de "rir pro céu e regar flores com gotas de riso e de amor".
sexta-feira, 7 de março de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
TORNANDO VÍVIDO O VIVIDO - POR DEILERCY ADLER.
DILERCY ADELER
TORNANDO VÍVIDO O VIVIDO
O Jornal “Sem Fronteiras” faz jus ao nome com o qual foi batizado há um ano. Por isso tem muito a comemorar!
De fato neste ano de trabalho foram derrubadas as fronteiras nacionais, que não são pequenas, considerando a dimensão territorial do Brasil, que é um país continental e, além disso, fez-se e faz-se presente em outros continentes.
Como tem derrubado fronteiras em seu existir e faz isso com elegância, beleza, criatividade e verdade através de suas várias sessões divulgando eventos, encontros, impressões, contos e muita poesia e ainda lindas fotos de pessoas e lugares.
Devemos lembrar sempre que, o que não é registrado em palavra e/ou imagem termina por “viver” um tempo efêmero e não se firma na memória e na história da humanidade.
Esse é o papel importante de um jornal, entre outras formas de registros existentes, imortalizar o momento vivido...
Assim o “Sem Fronteiras” além de romper as fronteiras físicas, geográficas, políticas rompe a mais difícil e, talvez a mais importante, que é a fronteira do tempo, a fronteira do esquecimento para tornar vívido o vivido.
No ano passado, tivemos o grande prazer de contar com a grande contribuição do Jornal “Sem Fronteiras” na cobertura do Projeto “Mil poemas para Gonçalves Dias”, de 09 a 14 de agosto, que incluiu várias atividades culturais, além do lançamento das Antologias, em três cidades do Maranhão, São Luís, Caxias e Guimarães. Entre as atividades culturais foi criada a Academia Ludovicense de Letras-ALL e o Instituto Histórico e Geográfico de Guimarães. E nada escapou ao olhar atento da equipe do “Sem Fronteiras” que veio prestigiar o evento na terra de Gonçalves Dias, o que neste momento agradeço, em nome de todas as outras instituições envolvidas.
Parabenizo assim, toda a equipe deste Jornal, neste seu aniversário, em nome da sua Diretora Geral, Dyandreia Portugal, desejando muito sucesso nos trabalhos que virão em muitos e muitos anos de existência, por este mundo afora.... e, claro, derrubando fronteiras... muitas fronteiras!!!! PARABÉNS!!!!
Dilercy Aragão Adler
Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil-SCLB
Vice Presidente da Academia Ludovicense de Letras- ALL
Membro do Instituto Histórico do Maranhão-IHGM
Delega do Liceo Poético de Benidorm- España, no Maranhão
Embaixadora no Maranhão do Cercle Universel des Ambassadeurs de la
Paix Suisse / France.
domingo, 2 de março de 2014
ALUIZIO ALVES E A CULTURA - POR FRANKLIN JORGE.
ALUIZIO ALVES E A CULTURA
Franklin Jorge
Editor de Babélia
[Página Única, Mossoró, 2006]
O jornalista Alberto Maranhão foi o primeiro dos nossos governadores republicamos a considerar a cultura um elemento indispensável à consecução de seu projeto de entrar para a História e assenhorear-se, como um grão-senhor - incentivador das artes e da criação de um personagem que se comprazia na valorização de uma plêiade de talentosos colaboradores capazes de produzir e justificar plenamente o ambicionado galardão aceito por toda a posteridade, sem questionamento, de “Mecenas” -- o príncipe que em Roma financiou e protegeu os artistas e deu-lhes encargos e desafios --, embora, a rigor, seu governo tenha feito menos do que deu a entender a todos que fez. Antecipando-se aos marqueteiros da nossa época, sabia o angicano que “a propaganda é a alma do negócio” e a versão, às vezes, mais convincente do que o fato; afinal os pósteros acatam sempre o que está escrito por autores de talento, exceções nesse mundo de mediocridades triunfantes que davam vida à sua resistência.
A Lei de incentivo à cultura que leva o seu nome, sancionada em 1900, privilegiou apenas seus áulicos e clientes, mais especialmente aos seus irmãos, aparentemente dotados de talento, que passaram a viver às expensas dos cofres públicos, sem produzir nada de relevante para o enriquecimento do nosso patrimônio cultural global. Mais de cinqüenta anos depois do último governo de Maranhão, a partir de 1961, quando tomou posse no Governo do Estado, Aluizio Alves retomou essa idéia, agora focada num espectro mais amplo -- inserir o Rio Grande do Norte na modernidade; – o que incluía a produção cultural estagnada por anos de marasmo e conformismo. Fonte de onde emana o oficialisimo encruado.
A realização de obras infraestruturais, como a eletrificação do estado através da energia de Paulo Afonso, assinala efetivamente a entrada do Rio Grande do Norte no mundo moderno. Aluizio Alves criava as faculdades de jornalismo, ciências sociais e sociologia, escolas; livros e, coroando tudo isso, a criação da Fundação José Augusto, responsável pela implementação duma política cultural capaz de dar a Natal o status de uma cidade cosmopolita. A FJA era dotada de ações da Petrobras. Tinha autonomia financeira até que teve seus papeis vendidos no governo de Lavoisier Maia. Tornou-sse dependente crônica do governo. Desacreditada. Goza de parco conceito da população. Degradou-se no curso do tempo.
Políticos hábeis e conhecedores da história, Maranhão e Aluizio Alves entendiam que nenhum governo alcança a imortalidade a não ser através do papel que artistas e escritores de talento lhes reservam em suas obras. Assim, até hoje, os Césares romanos chegaram até os nossos dias fazendo-se conhecidos, odiados ou amados, porque Suetonio lhes traçou o perfil em palavras que ainda hoje lemos com admiração ou asco.
Mais recentemente, Maquiavel concedeu imortalidade ao príncipe florentino que ele quis obsequiar, pintando-o como paradigma de déspota esclarecido, numa obra que continua despertando o interesse de todos aqueles que desejam o poder ou buscam orientação para governar. Os exemplos não são muitos porque são poucos os déspotas esclarecidos capazes de transcender a circunstância.
No exercício de seu mandato, Aluízio transformou-se numa espécie de imã, atraindo para o circulo do seu governo os autênticos talentos da época, ao entender que a arte é um meio através do qual a política dialoga com o povo. Possuído por uma ânsia de cosmopolitismo, inteiramente voltada para a produção cultural de qualidade, reagiu á plebeização da cidade, processo levado às últimas conseqüências pela ação de um prefeito populista e demagógico, uma espécie de petista avant la lettre copiado à exaustão por alguns prefeitos de Natal, sendo que o primeiro desses populistas, Djalma Maranhão, instituiu entre nós a cultura de pé no chão; a reles cultura paradigmática de governos festeiros, incapazes de distinguir o popular do popularesco. Sentindo-se perseguido pela regime militar, empresta seu nome a uma lei de incentivo à cultura. A Lei Djalma Maranhão.
Escritor de mérito e jornalista, desde muito novo integrado à elite política e cultural do país, numa época em que ainda era possível relacionar política e cultura numa interação polivalente. Aluízio Alves acrescentou vitalidade à cultura local, foi catalizador e fez dessa ação de que dá testemunho a obra de artistas que se tornariam mestres e faróis das gerações subseqüentes; o seu ingresso na imortalidade não é retórica. É a história da propaganda que começa a organizar-se. Hoje, não mais podemos dissociar-lhe o nome do nome dos criadores, estetas e visionários - exemplo de grandes faróis.
Newton Navarro representou por muito esse paradoigma de artista amado,– um Da Vinci das letras e das formas, forjado por si9mboplos visuais; maior de todos --; Myriam Coeli, Paulo de Tarso Fernandes de Melo, Zila Mamede, Berilo Wanderley, Dorian Gray, Luis Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Woden Madruga, Calasans Marcelo Fernandes, confraria visionária que se tornaria expoentes de variados credos estéticos ou se projetaram no jornalismo, como Woden Madruga. Nomes que, iluminados pelo talento, transcenderam a sua época, fazendo parte da “era Aluízio Alves”. Antecipada pela Era Djalma Maranhão. Assim como, hoje, Gutemberg Costa, Vicente Serejo, Diva Cunha, Nelson Patriota, François Silvestre, Deifilo Gurgel, Tácito Costa, Crispiniano Neto, Hilneth Correia, Severino Vicente, Dácio Galvão, Candinha Bezerra, Humberto Hermenegildo, Cláudio Galvão e Iapery Araújo são os expoentes da chamada “cultura oficial” nessa era de mazelas e falta de fé, emprestam o seu brilho à coroa da governadora Wilma de Faria. [Artigo escrito no curso dos governos municipal e estadual; prefeita de Natal por três vezes governadora reeleita apesar do descrédito em ebulição. Etc. Um governo das letras autônomas e alvissareiras. E o maior de todos, o nome-farol baudelairiano, guia; Newton Navarro, artista plástico, contistas, dramaturgo, político, cronista da cidade e da Redinha, o rei de Natal.
Cônscio de que é a cultura que engrandece e distingue um governo, mostrou-nos Aluizio na prática que preconceitos estéticos podem causar prejuízos à política. Abriu-se à novidade. Empenhou-se em proporcionar aos artistas locais acesso e convívio a outras realidades culturais e a criadores, sem delimitação de fronteiras. Houve ínteração de fronteiras. Sua política de intercâmbio cultural alcançou considerável sucesso. Herança do governo do prefeito Djalma Maranhão.
Aluízio trouxe de volta a Natal o professor Oswaldo de Souza, notável compositor e polígrafo, presentemente condenado ao silêncio e à obscuridade, ex-colega do polígrafo Mário de Andrade. Foi delegando-lhe a tarefa de empreender o inventário geral do nosso anonimato –; o primeiro rol realizado até então – dos bens culturais do Rio Grande do Norte, arrolados em relatório um inventário integral. Atualmente uma raridade biográfica de um governo que marcou época no Rio Grande do Norte. Representou a inserção do Rio Grande do Norte no modernismo. A Era Aluizio Alves etc. Governo que trouxe perspectivas novas para a terra potiguar, arraigada ao paternalismo dominante; caudatária de um concurso de governos sob o regime do tenentismo reinante em resquícios a que se iam difundindo o paternalismo seridoense correndo em suas veias. Amigo de Cascudo e transitando entre artistas, escritores e jornalistas – ele próprio dedicado ao jornal, vivendo em redações, dando mérito ao mérito. Uma geração que se expandiu em vasos comunicantes das artes plásticas e literárias e jornalísticas. Surgiu Fernando Gurgel, Erasmo Costa Andrade, Carlos José Marques, Iaponi Soares de Araújo, Arruda Salles, e antecedendo-os, Daniel Ferro Cardoso, Jeremias Nogueira, Hostílio Dantas, Erasmo Xavier etc.
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Seus inimigos e adversários poderão acusá-lo de inconformismo; nunca poderão acusá-lo de não ter sabido usar o seu talento e vontade de governante em favor de quem tinha talento, exercendo, por esse meio uma abrangente e duradoura influência sobre a cultura do Rio Grande do Norte.
Aluizio Alves encarna uma época complexa de transformações conceituais, correntes sob um governo que mudava a realidade política do Rio Grande do Norte. Aluizio Alves trazia-nos o novo e a esperança em notável resgate de um tempo perdido. Aluizio encarnava a esperança e a renovação de um povo. Era homem renascido que viera do majestoso Cabugi, gigante ao pé da qual nascera Lajes e Angicos, cidades que se irmanam em referência e poderio, importante entroncamento rodo-ferroviário.
sábado, 1 de março de 2014
REVISTA BIOGRAFIA - COLUNAS / LÚCIA HELENA PEREIRA / POETAS BRASILEIROS-
COLUNAS / LÚCIA HELENA PEREIRA / POETAS BRASILEIROS
A Minha Casa de Campo [Lúcia Helena Pereira]
Seria pretensão morar numa casa de campo na Áustria? Essa casa existe e vou me hospedar por lá, por uns tempos...através dos meus sonhos.
Sempre acalentei o sonho de passar uma boa temporada numa casa de campo, tipo chalé, em algum lugar da Áustria, com janelas adornadas de flores! Pretensão? Apenas um sonho que a poesia da vida me emprestou e eu guardei comigo, para poder compor mais poemas e ouvir, ao cair da tarde, a música das esferas, em noites de encantamento e de poesia, quando os anjos cantam à minha alma e tocam as suas harmonias em cítaras astrais!
A Minha Casa de Campo
Lembro-me dos slides que um cunhado (de saudosa memória), passava em sua residência da Marinha, tanto em Natal, como em Nova Friburgo e no Rio de Janeiro. Vistas fascinantes do Brasil e de outros países. Uma noite, enquanto ele passava slides de várias paisagens, uma, em particular, prendeu minha atenção. Dentro de mim, a minha voz interior falou: essa é a sua casa de campo tão sonhada!´
O fato é que jamais tive grandes ambições. Menina do interior, convivendo entre familiares e as "crias da casa"; vendo e revendo cotidianos cheios de amenidades como as feiras de todo sábado; as festas juninas; as procissões; os cortejos dos "anjinhos" (crianças falecidas) em ataúdes cobertos com jasmim vapor (flor de aroma forte) e minhas lágrimas rolando pelos rios dos meus olhos. A cidadezinha pacata só entrava em rebuliço em época de política, nos festejos pelo dia da padroeira - N.Sra. da Conceição - em Ceará-Mirim (terra onde nasci e simboliza o meu poema de amor).
Lembro-me, com grata emoção, das idas constantes com meu pai, aos engenhos Guaporé, Oiteiro, Mucuripe, à Usina São Francisco e à nossa Fazenda Santa Águeda... Ainda ouço o apito dos engenhos anunciando a moenda e o cheiro do melaço exlaando dos grandes bueiros.
Recordo, com nostalgia, que já vai longe o tempo em que os familiares recebiam e retribuíam visitas. Um tempo proustiano, diria Nilo Pereira, o fato é que todos os dias a nossa calçada da casa-grande, na Rua Grande, ficava cheia de gente e aos olhos de uma menina que despertava para a sensibilidade das coisas, era algo notável. Esse tempo ficou pregado na moldura de luz do meu coração e, quantas saudades sinto, até hoje!
Em Natal, na maturidade, numa de minhas idas ao Sul, conheci um sítio no Rio Grande do Sul, onde havia um chalé maravilhoso, pelo qual me apaixonei e o seu dono, apaixonou-se por mim. Santo Deus, o homem era viúvo e pai de seis filhos e eu não tinha o menor talento, àquele tempo, para ser mãe de tão grande prole. Esse sítio, maravilhoso, perto da linda praia de Torres/RS, era o próprio paraíso: o chalé - bem no estilo europeu - arrodeado de flores, sobretudo hortênsias de cores variadas, os ricos pés de frutas (peras, maçãs, uvas e os morangos perfilando os caminhos e muitos dos seus galhos beijando os parapeitos das janelas). Havia a poética lareira, na sala principal; a chaminé, com sua fumaça formando desenhos exóticos no ar, devido a densidade do ar (o frio era intenso)...
Uma paisagem para sonhos e para os que sabem sonhar. Lembro-me do córrego deslizando pelas pedras e a vegetação perfumada. Esse cenário enchia meus olhos de uma luz como jamais vi, como se fosse uma grande concha aparando as águas dos olheiros de minha infância no Vale Verde.
Queria uma casa no campo. Uma lareira, jarros de flores, o chocolate quente ou chá, colher morangos e peras, ouvir a música dos riachos, o canto dos galos, e a sinfonia dos pássaros festejando suas harmonias, sob um céu de anil.
O meu sonho concretizou-se nas belas viagens que a vida me permitiu e pela internet, como uma grande e escancarada janela, co vislumbrando meus olhos. E eu ganhei essa casa de campo, de algum lugar da Áustria, junto com belas e inesquecíveis valsas, quem sabe? talvez um Capitão Von Trapp, da "Noviça Rebelde", me convide para minha velhice naquela casa de Salsburg, junto ao grande e rio e me ofereça um anoitecer feliz, onde andaremos de mãos dadas, tomaremos sopas de legumes, degustaremos frutas colhidas por nós e eu, feliz, recebendo o meu neto nas férias e vendo-o correr por aquele verde-azulado, e eu, correndo sobre suas pegadas. Sonhar faz a poesia da vida. E hoje o meu sonho sorriu, abracei-o, amei-o e ele correspondeu com ares de felicidade.
Escritora e poetisa do Rio Grande do Norte realizou um dos seus sonhos:conhecer a poetisa goiana Cora Coralina.
Conheça mais sobre Lúcia Helena Pereira clicando AQUI
JORNAL SEM FRONTEIRAS - FEVEREIRO / MARÇO.
JORNAL SEM FRONTEIRAS
Rede Mídia de Comunicação
Edição: Fevereiro/Março
Convidamos você a ler a versão online da edição fevereiro/março abaixo e a divulgar e compartilhar com seus amigos.
Jornal Sem Fronteiras Jornal Sem Fronteiras - Caderno Especial
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Caderno Especial - Jornal Sem Fronteiras
O Jornal Sem Fronteiras, da “Rede Mídia de Comunicação Sem Fronteiras”, foi idealizado para atender às necessidades do mundo cultural, por ser um veículo de comunicação exclusivo para os amantes das Artes e da Literatura.
O Jornal Sem Fronteiras possui tiragem bimestral, de forma impressa e online. É totalmente colorido e em formato Standard. Está presente nas principais capitais do País, através dos seus colunistas, Galerias de Artes, Museus, Bibliotecas, Associações, Academias, etc. E no exterior, em inúmeros eventos culturais de brasileiros residentes no exterior.
Envie-nos suas pautas!
A próxima edição será especial de aniversário. Terá tiragem dobrada (20 mil exemplares) e contará com um Caderno Especial para Artes e um Caderno Especial para Literatura. Os interessados em divulgar seus trabalhos nesses cadernos especiais deverão entrar em contato para maiores informações.
Lembrem-se! A divulgação dos seus trabalhos e do resultado alcançado neles estará indo além-fronteiras! Participe conosco, deixe sua marca registrada na mídia!
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
NOITE ETERNA - POR TADEU ARRUDA CÂMARA.
Era uma noite, uma noite destas onde não existia lua, e o céu de tanto escuro fazia com que as estrelas piscassem mais forte lá no firmamento. Eu, perdido nos meus pensamentos, contemplava aqueles lampejos de luzes como há muito não fazia. Não estava só, perto de mim um anjo de mãos macias enchia-me de carinho. Enquanto seus beijos aumentavam o encanto da romântica noite, eu ouvia de seus lábios: meu príncipe. Sentia-me um menino no embalo daquelas carícias. Ela, de uma beleza estonteante, fitava-me com seus lindos olhos verdes. Um verde tão bonito, que mais parecia o mar de Muriú. Um mar que naquele momento só eu navegava. Não perguntei de onde ela vinha, não quis saber de nada, apenas queria o calor daquele lindo corpo que me fez o homem mais feliz do mundo. Nos braços dela, senti-me mais forte, mais amado. No auge do amor, onde nossos corpos entrelaçavam-se desvairadamente, ela perguntou se eu a amava. Nada respondi, deixei que as batidas do meu coração falassem por mim. Deixei que o arfar deste peito transmitisse toda a verdade já que meus lábios uniam-se aos dela num longo e apaixonado beijo. O ambiente era de calmaria, só nós dois naquela imensa casa no meio das verdejantes árvores, parecia que somente nós dois existíamos.
Pedi a Deus que aquela noite não terminasse nunca.
Muitos momentos eu vivi na vida, mas como os dessa noite nunca existirão de novo.
Todos nós temos uma noite inesquecível. Uma noite que sempre ficará em nossas lembranças.
Essa foi a noite mais linda que vivi, essa foi a noite que para
ficou, para sempre em minha lembrança.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
NOSSA VIDA É UM CARNAVAL - POR TADEU ARRUDA CÂMARA.
Nossa vida é um carnaval.
Tadeu Arruda Câmara
Não sei por que quando chega o carnaval, sempre lembro-me das campanhas políticas e quando chegam as campanhas políticas, lembro-me do carnaval. Agora mesmo se aproxima o carnaval e a sensação que me dá é de que vem uma nova eleição. A coisa não é muito difícil de explicar. É que política no Brasil se parece muito com carnaval. Ambos possuem aquele toque anárquico de que tudo pode. No carnaval, temos os foliões, muitos afoitos e destemidos que torcem pelas suas escolas de samba, mantendo a euforia até a quarta-feira de cinzas, dia se escolher a melhor escola. Na campanha política, temos os eleitores, muitos, também, afoitos e destemidos que torcem pelos seus partidos até chegar o dia da eleição. No carnaval, temos os pierrôs, as colombinas e os arlequins. Na política temos os cabos eleitorais, eleitores e chefes políticos. No carnaval, o arlequim, personagem da Commedia dell’Arte (Itália), que trai o Pierrô, roubando-lhe sua colombina. Na política, temos os eleitos enganando o povo.
Não podemos deixar de citar que no carnaval, assim como na política, a força geratriz é o dinheiro. Dinheiro quase sempre sujo, caixa dois. No carnaval, vem do jogo do bicho, uma maneira de suavizar a pesada imagem do Bicheiro no mundo da contravenção. Na política, vem das construtoras, uma via de duas mãos: uma leva a doação a outra faz o retorno com o sofrimento do povo brasileiro. Esta história de liderança política sem dinheiro, principalmente no Rio Grande do Norte, é conversa pra boi dormir. Eu vi Aluisio Alves, maior expressão política do Estado, não conseguir eleger um neto vereador em Natal. Mais tarde entrevistado por um canal de televisão, respondeu a um jornalista que não elegeu o neto porque não teve prestígio. Foi aí que comecei a entender a grandeza de um homem chamado Aluisio Alves.
A capital do carnaval é a cidade do Rio de Janeiro, Avenida Marquês de Sapucaí, cujo Sambódromo foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A capital política do Brasil é Brasília, também projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Note que os políticos de Brasília sempre aparecem na Sapucaí, buscando popularidade, e os da Sapucaí em Brasília buscando sobrevivência.
A semelhança entre política e carnaval é tão grande que o Estado de São Paulo, nosso maior polo industrial, elegeu o palhaço Tiririca como deputado federal mais votado da história do Brasil. É protesto ou voto consciente? Pode até ser carnaval fora de época.
Não podemos deixar de falar da figura do palhaço. Este sim, o grande elenco formador de nossa sociedade. Lembro um dia, hospedado num hotel de terceira categoria em São Paulo, em busca de trabalho, tempos difíceis, acordo, alta madrugada, e na cabeceira de mesa encontro um livro, já amarelado pelo tempo, e leio uma frase de Charles Chaplin: “eu continuo sendo apenas um palhaço, o que me coloca em nível bem mais alto do que o de qualquer político. No silêncio daquela noite, pude refletir o quanto somos palhaços. Fomos palhaços quando uma ministra totalmente desequilibrada e um presidente tido como louco e corrupto confiscaram todo nosso dinheiro, deixando toda população abobalhada. Vai fazer isto em outra nação. Vai? Fomos palhaços quando um governo incompetente cuja música de campanha dizia que soprava um vento forte no Rio Grande do Norte e que este vento mudaria nossa sorte. Este vento só trouxe perseguição à classe de professores e quebrou nosso maior patrimônio, o Bandern - Banco do Estado do RN. Fomos palhaços quando um grupo de grandes devedores, apelidados de empresários, não querendo pagar altas somas ao BDRN - Banco do Desenvolvimento do RN resolveu simplesmente fechá-lo, deixando as dívidas pelos labirintos insondáveis da corrupção. Enquanto isso, aquela senhora que furtou uma lata de sardinha no supermercado para matar a fome de uma criança faminta, passou seis meses na penitenciária.
As Máscaras são comuns tanto nos foliões, como nos políticos. Nos foliões são confeccionadas a caráter, conforme a imaginção, a fantasia. Nos políticos, nascem com eles, fazendo parte de sua personalidade. Observe um encontro com um político antes de uma eleição, sorriso fácil, sempre com perguntas, "por onde anda você"? "Precisamos conversar, você some". Passada a eleição, cara fechada, ar de preocupação, um leve aceno. Pensamos até ser uma outra pessoa.
Por todas essas coisas concordo com Moacir Franco, "nossa vida é um carnaval. Também sopraram cinzas no meu coração e os clarins silenciaram quando caiu a máscara de minha ilusão". Talvez em outro dia e os clarins voltem a tocar e uma nova máscara usarei para esconder uma outra dor.
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